terça-feira, 26 de março de 2013

MENSAGEM DE REFLEXÃO: VIDAS SEM RUMO


VIDAS SEM RUMO
Era um sábado de sol e uma família aproveitava o início do verão para fazer um passeio diferente.
Informados de que uma ilha, situada á meia hora de barco do litoral, era um lugar agradável e belo, não hesitaram. O pai comprou as paisagens de barco, a mãe arrumou as crianças e chamou a vovó para compartilhar do passeio.
Nas mãos uma mochila com alguns apetrechos de praia para garantir um dia tranquilo. E só. Não se informaram sobre o que realmente encontrariam, nem sobre o que deveriam levar para passar o dia.
Não se inteiraram também sobre o que havia para ser visto e se tinha algum tipo de guia no local para facilitar-lhes a empreitada. Quando desembarcaram não atentaram para os demais passageiros, para onde iriam, ou que rumo tomariam.
Discutiam entre si para decidir o que fariam e, por fim, acabaram tomando uma trilha, dentre as muitas que havia, e caminhavam muito, sem saber sequer para onde se dirigiram. Passaram por pequeninas vilas, cruzaram riachos e pontes, até alcançar uma praia pequena, sem movimento e sem grandes atrativos.
Os mosquitos e o sol inclemente tornaram o passeio ainda mais difícil. A ausência de um local apropriado para o almoço, para descanso, também foi motivo de discussão entre os membros da família. Horas depois de terem desembarcado, o único desejo de todos era retornar ao barco e voltar o mais rápido possível para casa.
Não conseguiram conceber como alguém poderia ter, em sã consciência, recomendado um programa como aquele. Quando, enfim, conseguiram encontrar o caminho de volta e localizaram o trapiche onde haviam desembarcado, puderam sentir-se à sombra e comprar água fresca para beber.
Todos cansados e irritados começaram a perceber as pessoas em volta e notaram os comentários que faziam a respeito da ilha. Uns falavam ter adorado a vista do morro onde ficava o farol. Mas, de que farol falavam? Outros diziam que a fortaleza construída há mais de duzentos nãos era um espetáculo à parte.
Fortaleza? Onde fortaleza? Falavam também de praias de águas mansas e transparentes onde crianças podiam brincar sossegadas. Onde, afinal, ficavam tias praias?
Quando a família se alojou no barco que a levaria de volta ao continente, pai, mãe, avó e filhos se entreolharam e se deram conta de que haviam desperdiçado o dia. Perceberam que por falta de planejamento, de diálogo e de cuidado, deixaram de conhecer as belezas daquele lugar, e que haviam sofrido desnecessariamente. Esboçaram um sorriso sem graça e voltaram para casa em silêncio, pensativos e desapontados.