domingo, 21 de abril de 2013

LI E RECOMENDO: AUTO DA COMPADECIDA - ARIANO SUASSUNA



O livro “Auto da Compadecida” é um marco para o Teatro Brasileiro. Escrito por Ariano Suassuna e publicado na década de 50, a peça possui caráter circense e elementos da cultura grega e nordestina.
Os personagens são: João Grilo, Chicó, dois amigos sertanejos pobres, mas espertalhões, Mulher e Padeiro, ambos casados, mas há adultério da parte feminina (a mulher possui um cachorro de nome Xaréu e o trata como filho), Antônio Morais, major de pequena participação, Padre, Bispo, Frade e Sacristão representando a religiosidade do sertão, Severino, o “Lampião” do enredo que possui outro Cangaceiro como aliado. Sem esquecer-se de personagens imprescindíveis aos autos: representando a figura do bem, estão Manuel e a Compadecida, e do mal o Encourado (diabo) e o Demônio.
São muitos os atos. Seu início se dá com a apresentação de piruetas, saltos e uma música de circo. Aparece então o apresentador, o Palhaço. Ele comenta algumas cenas, para somente assim o “espetáculo” realmente começar. João Grilo e Chicó são empregados do Padeiro. Este é chifrado pela Mulher, que conquista até Chicó. De forma bem-humorada o enredo vai se desenvolvendo e ocorre a morte do cachorro da Mulher. João Grilo pede ao Padre que faça o enterro do cachorro. Ele não consente, pois é ambicioso, assim como o Bispo. Até que aparece a figura de Major Antônio Morais. João Grilo manipula a cabeça dos dois e faz com que o Padre acredite que o cachorro a ser enterrado é o do major. O poderoso vai embora falando coisas ruins do Padre e o último fica nervoso por perder o dinheiro. Há também o gato que “descome” dinheiro, que é vendido à Mulher pela pura ganância. Muitos são os acontecimentos até a chegada de Severino e seu companheiro. Severino mata o Padre, o Bispo, a Mulher, o Padeiro e os únicos que não escapam são Chicó e um Frade de pouca participação. Chicó fica com o dinheiro de todos após morrerem.
Ao chegar ao céu, a imagem é de um tribunal. Aparecem as figuras de Manuel, Compadecida e Encourado. Todos se surpreendem por Manuel ser negro principalmente João Grilo que demontra seu preconceito. O Encourado inicia as acusações e Compadecida tenta defender todos procurando pontos positivos. A pena estabelecida foi o purgatório. Chega o julgamento mais esperado: o de João Grilo. A figura grotesca expõe os atos de desonestidade de João Grilo e suas manipulações safadas em vida e diz a Manuel para lhe mandar para o inferno. Manuel percebe que as acusações são sérias e não vê outra pena senão a proposta pelo Encourado. Compadecida interfere mais uma vez e utiliza o argumento de que ela e Manuel também foram pobres na Terra e sabem como é a dor de não ter o que comer. João Grilo agia daquela maneira apenas para sobreviver. Eles resolvem, então, dar-lhe uma nova chance, derrotando o Encourado e o Demônio. João Grilo agradece a defesa concedida a ele e ressuscita para o espanto de Chicó. Passado o susto, os dois comemoram, mas… Chicó prometeu a Nossa Senhora que se João Grilo escapasse daquela situação, doaria todo o dinheiro conseguido à Igreja. Terminam pobres, mas agradecidos a Nossa Senhora (Compadecida).
São características dos autos mostrarem os lados do bem e do mal. Juntando isto à temática nordestina (principalmente a parte da religiosidade), o livro torna-se uma crítica à sociedade, pois mostra claramente os interesses políticos por parte dos religiosos e o descaso dos ricos para com os pobres. Seu sucesso está ligado ao fato de ele ser contemporâneo. Vemos na mídia casos da mesma espécie. Um padre corrupto, uma mulher adúltera, um homem de influência vaidoso, coisas que não mudaram…
Sendo assim, Auto da Compadecida é uma obra que vale a pena ler.
[Resenha da aluna Andressa Rocha Muniz - membro da ACADE7]

Título: Auto da Compadecida
Autor: Ariano Suassuna
Edição: 34ª
Editora: Agir
Ano: 2004
Páginas: 208