terça-feira, 13 de dezembro de 2016

DESPRESTÍGIO E DISCÓRDIAS: A CRISE QUE CULMINOU NO FIM DO "DOMINGO LEGAL"



Na última semana, o SBT anunciou o fim do "Domingo Legal". Desde 2015, os bastidores do programa não refletiam a alegria que Celso Portiolli expunha no vídeo. Saída de diretor, desentendimentos, insatisfações, perda de espaço na programação e baixo Ibope são alguns dos elementos da crise que o "Domingo Legal" atravessava e que preludiram o fim de uma atração que marcou a história da TV.

Em setembro do ano passado, Silvio Santos tirou duas horas do "Domingo Legal" para encaixar "Mundo Disney", resultado de uma negociação com estúdios de Mickey Mouse. Nos bastidores, a decisão soou como um desprestigio de Celso Portiolli. Embora o apresentador tenha conquistado uma nova atração aos sábados, o domingo do SBT é considerado nobre, o dia mais importante do canal.

Com a perda de duas horas na grade, parte da produção foi demitida e o "Domingo Legal" foi transformado num quadro estendido do tradicional game "Passa ou Repassa", conquistando médias de cinco a sete pontos na medição do Ibope na Grande São Paulo. Uma audiência mediana, mas com baixo investimento.

Neste período, por trás das câmeras, a relação entre Portiolli e o diretor Roberto Manzoni, o Magrão, começou a ficar desgastada e de pouco diálogo. Magrão é considerado um gênio da TV e foi ele, junto com Homero Salles e Gugu, que criaram o famoso dominical.

Nos bastidores do SBT, diretor e apresentador divergiam sobre os rumos do "Domingo Legal". Irritado com toda a situação, no dia 16 de abril deste ano, Celso Portiolli resolveu desabafar no Twiter. "Celso, você é um ótimo apresentador, está realmente satisfeito com os rumos do 'Domingo Legal'?", questionou um internauta. "Nada é tão ruim que não possa piorar", respondeu Portiolil. O apresentador continuou com o desabafo: "Na verdade eu tento mudar aquilo todo dia, mas não consigo. Então fica como está. Quero parar daqui 18 meses. Pra mim tá bom. #prontofalei".

Em seguida, outro seguidor relembrou que o "Curtindo uma Viagem" foi um grande sucesso do SBT em 2001. Celso respondeu: "'Curtindo' eu criei junto com o SS e eu era o diretor, editor e apresentador. Tinha autonomia", deixando clara sua insatisfação com a direção de Roberto Manzoni.

No SBT, as declarações caíram como uma bomba. A convivência entre as partes, então, se tornou impossível. Na época, segundo um funcionário da casa,relatado em primeira-mão pelo NaTelinha, os dois tiveram uma forte discussão e que culminou na saída de Magrão da direção do programa. Dentro da emissora, a atitude de Portiolli não foi bem vista, parecendo uma forma de prejudicar Manzoni com o comitê artístico do SBT.

Para contornar a crise que estava instaurada e atendendo a um pedido do Portiolli, na mesma semana, Silvio Santos concedeu ao apresentador carta branca para definir os rumos da atração dominical. Ganhou autonomia.

A direção do SBT investiu em novos cenários, produtores e quadros, mas o "Domingo Legal" não reagiu no Ibope frente a concorrência do "Domingo Show", da Record. O programa passou em investir em pautas sensacionalistas, mas suas médias de audiência continuavam igual ou menor à época do "Passa ou Repassa". O programa perdeu identidade, autenticidade e público. A crise não acabou.

Insatisfeito com o Ibope e buscando melhores índices para 2017, Silvio Santos quis abrir espaço na grade de programação do SBT aos domingos e colocar em prática seu novo projeto: ter Patrícia Abravanel como sua sucessora no canal.

Desprestigiado, Celso Portiolli foi transferido para os sábados e o tradicional "Domingo Legal" chega ao fim do seu ciclo na TV. O apresentador, que iniciou sua promissora carreira em 1996, terá sua última chance de se reinventar, afastar a crise artística e encontrar novamente o caminho da audiência.

Fonte: Na Telinha