segunda-feira, 10 de abril de 2017

MULHERES COMO LUIZA POSSI, VALESCA POPOZUDA, SANDRA ANNENBERG, MARA GABRILLI, BEL COELHO E ALEXANDRA LORAS VENCEM O MEDO E A VERGONHA E RELATAM EPISÓDIOS DE ASSÉDIO SEXUAL


Luiza Possi, cantora, 32 anos: “Certa vez, um casal de fãs quis fazer uma foto comigo no camarim. Pouco antes do clique, o homem olhou para mim, longe dos olhos e ouvidos da companheira, e perguntou: ‘Posso passar a mão na sua bunda?’. Respondi: ‘Claro que não’. Mas mesmo assim tirei a foto, numa reação automática. O desrespeito está presente em nossa vida, todos os dias.”


Valesca Popozuda, cantora, 38 anos: “Eu estava no início da carreira quando um empresário entrou no meu camarim, disse umas coisas e colocou o pênis para fora. Eu estava usando um babyliss e encostei o aparelho quente nele. Hoje, a situação pode até parecer engraçada, mas não foi. Eu chorava sem parar. Nunca contei a ninguém por medo. Medo de que não acreditassem em mim.”


Sandra Annenberg, apresentadora de TV, 48 anos:  “Eu ainda veria esse dia! Dia em que nós mulheres não teríamos mais medo de denunciar. Quem nunca foi assediada? Não é só no meio artístico, mas em todos os meios em que os homens se julgam superiores e, pior, donos do sexo feminino. Eu já passei por muitas e péssimas, não tive coragem na época de tomar a mesma atitude que a Susllem… Mas nunca compactuei, e por isso perdi muitos trabalhos. Agora não é hora de lamentar o passado, mas de comemorar o presente e olhar para o futuro que deixaremos para as nossas filhas e filhos, um futuro (ainda de muita luta!) de igualdade, sem seres superiores nem inferiores e em que todos tenham as mesmas oportunidades para mostrar seus talentos. Obrigada, Susllem. E gostei de ver a atitude da empresa onde trabalho.” (em depoimento no Facebook)


Mara Gabrilli, deputada federal, 49 anos: “Eu tinha 26 anos quando sofri um acidente de carro, meses depois de ter ficado tetraplégica, em outra batida de automóvel. Quebrei o pescoço e fiquei internada em São Paulo. Fui transferida para uma clínica de reabilitação nos Estados Unidos. Ao chegar ao aeroporto, fui recebida por uma ambulância, na qual permaneci deitada, já que ainda não conseguia me sentar. Dentro dela, estavam eu, o motorista, um paramédico americano e uma amiga fisioterapeuta. Em determinado momento, o paramédico se levantou e perguntou se podia me examinar. Puxou meu cobertor, deixando minhas pernas à mostra, e começou a me tocar, subindo a mão até tocar minha calcinha. Eu era um alvo frágil, estava muito debilitada; se estivesse em minha situação normal, daria um chute na cara dele.”


Bel Coelho, chef de cozinha, 37 anos: “Aconteceu quando eu tinha 11 anos, em uma sorveteria. Antes mesmo de escolher o sabor, eu me apaixonei por uma minibicicleta de metal apoiada no balcão. O dono da sorveteria disse que tinha outras lindas bicicletinhas no seu estoque. Atraída pelo joguete, acompanhei-o até os fundos da loja. No estoque, havia uma bandeja cheia delas! Mas estavam no alto, em cima de uma pilha de engradados. O homem, de uns 60 anos, fez um degrau com um engradado para que eu pudesse alcançar a bandeja. Concentrada na escolha da minha bicicleta, congelei ao sentir o homem me bolinar por fora e por dentro do meu short. Tudo isso não durou mais de cinco minutos, mas foi tempo suficiente para me causar medo, culpa e nojo por muitos anos.”


Alexandra Loras, ex-consulesa da França, 40 anos: “Na primeira vez que tentei trabalhar na televisão, não consegui passar no teste. Quando o diretor me disse que eu não era boa, perguntei se ele poderia me dar dicas para melhorar. Ele me ajudou, mas eu não percebi que pretendia algo em troca. Ao receber minha negativa, respondeu que eu era manipuladora. Isso é muito comum em vários meios de imprensa — na França, no Brasil, em todo o mundo.”

Fonte: Veja.com