terça-feira, 6 de junho de 2017

A PARÁBOLA DO REI E SEU SÚDITO


Há muito tempo, num reino distante, havia um rei que não acreditava na bondade de Deus. Tinha, porém, um súdito que sempre o lembrava dessa verdade. Em todas as situações dizia:
-Meu rei, não desanime, porque Deus é bom!
Um dia, o rei saiu para caçar juntamente com seu súdito e uma fera da floresta atacou o rei. O súdito conseguiu matar o animal, porém não evitou que Sua Majestade perdesse o dedo mínimo da mão direita.
O rei, furioso pelo que havia acontecido e sem mostrar agradecimento por ter sua vida a salvo pelo o esforço de seu servo, perguntou-lhe:
-E agora, o que você me diz? Deus é bom? Se Deus fosse bom eu teria sido atacado e não teria perdido o meu dedo.
O servo respondeu: 
-Meu rei, apesar de todas as coisas, somente posso dizer-lhe que Deus é bom e que mesmo-perder o dedo é para o seu bem!
O rei, indignado com a resposta do súdito, mandou prendê-lo na sela mais escura e fétida do calabouço.
Após algum tempo, o rei saiu novamente para caçar e aconteceu que ele foi atacado, desta vez, por índios que viviam na selva.
Esses índios eram temidos por todos, pois sabia-se que faziam sacrifícios humanos para seus deuses.
Mal prenderam o rei, passaram a preparar, cheios de júbilo, o ritual do sacrifício.
Quando já estava tudo pronto e o rei já estava diante do altar, o sacerdote indígena, ao examinar a vítima, observou furioso:
-Esse homem não pode ser sacrificado, pois é defeituoso! Falta-lhe um dedo!
O rei foi libertado. Ao voltar para o palácio, muito alegre e aliviado, libertou seu súdito e pediu-lhe que viesse à sua presença.
Ao ver o servo, abraçou-o afetuosamente, dizendo-lhe:
-Meu caro, Deus foi realmente muito bom comigo! Você já deve estar sabendo que escapei da morte justamente por não ter um dos dedos.
Mas ainda tenho em meu coração uma grande dúvida: – Se Deus é tão bom, por que permitiu que você fosse preso da maneira como foi, logo você que tanto O defendeu?
O servo sorriu e disse:
-Meu rei, se eu não estivesse sido preso eu estaria nessa caçada, certamente seria sacrificado em seu lugar, pois não me falta dedo algum!
Autor desconhecido – Parábola