segunda-feira, 7 de agosto de 2017

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO: POR QUE O PAPA BENTO 16 RENUNCIOU?


  • O papa abdicou do trono da Igreja em fevereiro de 2013, um ano após seu mordomo pessoal, Paolo Gabriele, vazar à imprensa documentos privados do Vaticano, no caso conhecido como “Vatileaks”. O cardeal Francis Arinze, amigo do papa, disse à TV que isso abalou a confiança de Bento16 em seus aliados, o que teria motivado sua saída de cena.
  • Um dos documentos se chamava “lobby gay”. Ele supostamente revelava que o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, lideraria um poder paralelo, que ignorava decisões do papa, como punir padres pedófilos (a maioria gay, segundo a Igreja – daí o nome do arquivo). O complô usaria o Banco do Vaticano em esquemas de corrupção de políticos e mafiosos.
  • Em 2013, o ex-frade brasileiro Leonardo Boff, que estudou com Bento16 na Universidade de Munique, na Alemanha, disse em uma entrevista que o colega é um intelectual, que renunciou por se sentir frustrado. De acordo com Boff, a Igreja precisava de um pastor, não de um professor pouco carismático como ele.
  • Para o britânico Geoffrey Robertson, autor de O Papa É o Culpado?, a renúncia era uma compensação da Igreja pelos abusos que teria negligenciado durante a era Bento16. Em 2011, o Tribunal Penal Internacional recebeu uma queixa contra o papa e três cardeais por ocultação de crimes sexuais contra crianças em todo o mundo. O Vaticano não se pronunciou.
  • O Tribunal Internacional para Crimes da Igreja e do Estado, órgão independente com poderes para condenar líderes políticos criminosos, alegou que o papa renunciou para não ser preso. Entre as justificativas está o suposto envolvimento de Bento16 em atividades criminosas do Banco do Vaticano, como lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
  • Em janeiro de 2012, o cardeal colombiano Darío Hoyos entregou uma carta ao papa em que outro cardeal, Paolo Romeo, afirmava ter ouvido um complô para assassinar Bento16. Ela não mencionava quando nem como, mas o plano estaria ligado ao conflito entre o papa e Bertore. O conteúdo foi divulgado pelo jornal romano Il Fatto Quotidiano.
    Assim que o papa Francisco assumiu, Bento disse à agência de notícias católica Zenit que vivenciou uma experiência mística, durante a qual Deus havia inspirado nele um desejo absoluto de dedicar sua vida à oração, em vez de continuar como papa. “Foi a vontade de Deus”, afirmou.
  • Desde 1929, quando o Estado do Vaticano foi oficializado, todo papa passou a ser declarado rei. Bento16 foi o sétimo dessa lista. O Apocalipse, na Bíblia, diz que o sétimo rei profético (ou papa) teria um mandato de transição: “Quando vier, convém que dure um pouco de tempo”.
  • O papa assumiu o controle da Igreja em um momento conturbado, em que um número considerável de sacerdotes de alto escalão do Vaticano integrava um governo corrupto e dividido pelo poder.
  • O próprio papa Francisco admitiu certa vez: “A corte é a lepra do papado”. O sucessor de Bento16 chamou a cúria de narcisista e egoísta.
  • Federico Lombardi , porta-voz do Vaticano à época da renúncia, explicou que a Igreja precisava de um papa com mais energia física e espiritual.
  • Em 2010, Bento16 escreveu o livro Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos, em que deixou em aberto a possibilidade de renunciar caso não se sentisse capaz.
  • Já no livro As Últimas Conversas, lançado em 2016, ele afirmou não ter sofrido pressões para renunciar, mas que o “lobby gay” do Vaticano tentou influenciar decisões.
  • O papa foi duramente criticado pelo seu silêncio em relação ao escândalo de casos de pedofilia pelo mundo.
  • Em 2012, o Departamento de Estado dos EUA colocou, pela primeira vez, o Vaticano na lista de Estados potencialmente suscetíveis a lavagem de dinheiro.
  • A profecia sobre o sétimo rei profético de transição também afirma que o líder seguinte seria o último. Ou seja, o fim do mundo vem aí?
FONTES Livros Os Papas, de Richard McBrien; BBC, Folha de S.Paulo, O Globo e La Repubblica